Profile
heart it
|
Posted sábado, 17 de julho de 2010 @ 14:40 by User
Longe do olhar , perto do coração. Atravessar a rua parecia mais que uma indecisão, por um lado queria mostrar o mais responsável de mim, mas por outro... não sei, não iria mudar o meu feitio por um estranho que me seduz com um olhar fixante em mim. Rebeldia, optei por mim própria, nada como sermos nós e deixarmos seguir. Pus o pé na estrada e não olhei sequer para a passadeira a seis metros de distância, queria ver a reacção dele. De saltos de quinze centímetros, quentes, ofuscantes, mas invejados por meia dezena de mulheres no café deixado para trás, lá me desloco a meio da avenida. Não há sinal de nenhum carro, e ainda bem, não me apetecia correr com estes sapatos que gentilmente me queimam os pés. Cheguei a outra margem. Aterrei no passeio e não resisto em olhar mais uma vez para o sujeito que me mirava de alto a baixo com uma ponta de loucura, tira do bolso do casaco um cigarro, acende-o, e leva-o à boca imitando um actor famoso nos filmes de Hollywood. Não pára de olhar, e eu muito menos. Confesso que tal me cativa, tal como aquele corpo que lá longe não parecia nada de especial comparado com o perto. Não resisti à tentação, e aproximei-me. Por um instante perdi-me naqueles olhos cor de mel e deixei-me levar pelo coração. Pedi um cigarro, não que fumasse, porque até era contra tal acontecimento, mas precisava de pretexto para por conversa. - Desculpe, por acaso não tem um cigarro a mais que me possa fornecer? - Tenho sim senhora. Do bolso do casaco voltou a tirar a caixa de cigarros e tirou-me o seu último para me servir, acendeu-o com o lume do seu, e ofereceu-me. De seguida deitou a caixa vazia, amarrotada para o chão, e voltou a olhar para mim daquela maneira deliciosa. - Peço desculpa não queria roubar-lhe o seu último cigarro. - Não tem problema, estou a deixar de fumar. Até me salvou o dia, veja bem! ... Pelo que vejo, atravessou meia rua, cheia de fumadores, só para dar de caras comigo ? - É possivel. Confesso que o meu radar funciona a uma relativa distância. Ainda bem que está a deixar de fumar, estas «coisas» matam, sabia? ( Os dois sorriem um para o outro ) - Presumo que não seja de cá. Nunca a vi por aqui. A propósito, chamo-me Thomas. - Ashley, prazer. - O prazer é todo meu, Ashley. - E não, não sou de cá, mudei-me à pouco. Mas parece que vou gostar desta cidade, é cómoda. - E nem sabe o quanto. Por vezes é saturante, mas nada como no final do dia e ir ao rio para nos acalmar. - Terei que ir um dia, se é assim. - E faz muito bem, se quiser até a poderei levar, conheço locais completamente magníficos. - Se quiser fazer as honras de agente turístico, esteja à vontade. Por falar nisso, trabalha? - Não. Ainda estou a acabar o curso de psicologia. É capaz que para o ano venha a trabalhar já, se Deus quiser, e a menina? - Bem, eu mudei-me para poder estar mais perto da faculdade onde me inscrevi, sou uma «caloira» no que toca a fisioterapia. - Seremos então colegas na mesma universidade cara ashley , prometo que no seu primeiro dia de aulas, não a levarei ao «culto do caloiro»! - Não sei o que isso é, mas tenho uma pequena ideia de que não vou querer saber. - Nem sabe o quanto. - Por favor, trate-me sem cerimónias, troque o você por tu, assim sinto-me mais velha, e ainda sou jovem, não acha? - Acho sim Ashley . Se é assim que pretende, assim o farei. Ups, assim que pretendes. - Assim está melhor . - e sorriu. De caminho para casa, lembrei-me daqueles olhos cor de mel. Não conseguia tirar aquele sujeito da cabeça. Thomas, chamava-se ele. Era lindo, inteligente pelo que transpareceu, e deixa-me com um sorriso de orelha a orelha sem conseguir o entender. Gostava que este fim-de-semana passasse mais rápido, nunca desejei tanto ter aulas, mas com um íman tão especial na escola, todos nós fazemos sacrifícios. Thomas era sem dúvida o tipo de rapaz que deixava mil e uma mulheres com o queijo caído a olhar e suspirar. Um verdadeiro «monumento» por assim dizer. Pus as chaves na fechadura, e entrei em casa. Saltei para o sofá e tirei os malditos e lindos sapatos, já não podia mais, deviam de fabricar solas mais moles que não doessem tanto quanto isto! Descalça, instalei-me no sofá e liguei a televisão. 8h 9h 10h 11h 11h:30m - finalmente dei por mim e acordei. Lá longe ficou a memória do rapaz a quem se deu o nome de Thomas. Teria sido um sonho ? Era possível, nunca tinha sorte com este tipo de rapazes. No passado três lá ficaram na terrinha abandonada, «machistas» diziam-se eles, eu cá chamava-los de paus mandados, sempre à mercê do que os outros pensam e mandam. Mas este, ai este! Tinha um olhar profundo, uma simpatia cativante, e uma inteligência que nunca tinha visto em mais lado nenhum. Queria voltar a vê-lo, nem que fosse num mero sonho, eu queria voltar a tê-lo. / fim do prólogo. [i]Prometi há um ano que voltaria a escrever a história, mas como a passada não terminei, decidi a começar do inicio. [/i] Marcadores: - Textos da minha autoria Posted terça-feira, 6 de julho de 2010 @ 09:04 by User
Tenho medo que o teu medo seja o meu. Que no final acabe por perceber que estou faminta de ti, e nem sequer o quero entender. Não chamo fases ao que não entendo. Confusões aparentes, trocas de palavras misturadas com o fanatismo em questão. A verdade é que queria-te aqui perto de mim, mas pensando melhor, talvez não seja o que prefiro. Decisões qe mais são indecisões, eu sei, e confesso qe preferia continuar a tê-las que perde-las sem as entender. Afinal o que era eu sei elas? Pau mandando às ordens de alguém tão desesperado por nadar não em ondas de mar, mas de espuma? Não meu amor. Não me fixo nisso. Se qeres alguém decidida, deixa-me entender-me a mim própria antes dos outros. Saltar estantes e derrubar páginas de livros espalhadas pelo chão do quarto. Não quero fazer das palavras dos outros minhas, todos têm definição para amar, para arrepios e constatações de amor verdadeiro, quando na verdade não podem ser designadas por gerais e quem saiba por verdadeiras, porqe eu não as sou, nem as pretendo comprar para me fazer delas . Eu sou diferente. Chama-me anormal, chama-me parva, tola e sabe-se lá mais o quê. Chama-me de tudo, mas nada me fará sentido. Gosto de ser eu a escrever o que sinto, sentir o que quero, e à minha maneira. Não ter capacidades de entender o que na verdade não quero entender. Prefiro o segredo, mistério e infinita curiosidade do que a morte desta. A vida não é para ser descoberta com base em frases feitas dos outros, acho-a mais importante que isso, é para ser vivida, e unicamente entendida à nossa maneira. Sempre me disseram que não existem duas pessoas iguais, nada é igual, uma perna nossa não é igual à outra, então porque é que generalizam tudo em livros? Se algum dia escrever algum, meu amor, oh se escrever, não escreverei com base em nenhuma história ou pensamento, sairá do meu peito, para que ninguém mais o entenda, sem ser eu - nós.Marcadores: - Textos da minha autoria Posted @ 09:01 by User
Vivo na terra dos sonhos. Sou imunda aos princípios horizontais da mente. Penso. Reajo. Mato-me por dentro vigorosamente. Bato com os pés atados nas mãos. Sigilo o cadeado incestuosamente acanhado pela solidão. Apenas uma, penso - só apenas uma no meio de tanta população. Ironicamente, sozinha me sinto. Protelada pela movimentação caricata da cidade. Quantas mais pedras vejo, mais me torno una. Atiradas a uns. Pisadas por outros. E esquecidas por alguém. Não me torno metáfora. Não me torno hipérbole, para exagerada já sou eu e não preciso de mais. Torno-me, quiçá, em personificação, sempre tive uma veia dada à imaginação. Sempre falei com o sol, com a lua, com as flores, com as estrelas, com o mar. Sempre me senti acompanhada, mesmo distante, mesmo sentindo-me sozinha neste mundo, uma mão pousa no meu ombro gentilmente. Puxa-me. Sacode-me. E liberta-me. Mas não sei quem é, não tem nome, não tem definição. Ás vezes queria conhece-la. Mas o anonimato circunda a sua beleza, e aí entendo que se souber mais, perde a sua magia, e isso, é o longe do que pretendo.Marcadores: - Textos da minha autoria |